Aos mestres

Agradeço a todos os mestres do nosso Brasil, especialmente a minha mãe que me alfabetizou,
aos professores Maurício (literatura) e Poppe (gramática); ao mestre das crônicas Stanislaw
Ponte Preta e como dizia o meu tio Armando : "Ao mestre de todos os mestres : Jesus Cristo"

- ABAIXO SEGUE HISTÓRIA SOBRE O SOFRIMENTO DOS MESTRES NO BRASIL -

Liquidação de Natal

Era uma típica professora de escola do governo.
Como de costume havia recebido o seu décimo-terceiro salário às vésperas do Natal e sabia
que iria precisar fazer milagre para esticar o seu pro-labore, já tanto carcomido pelos
"gênios da economia", na tentativa de fazer suas compras natalinas.
Pegou todo o dinheiro que sabia que poderia gastar nessa empreitada e partiu para a batalha
em busca de preços módicos e liquidações de última hora na famosa, conturbada e caloren-
ta região do Saara, mais precisamente na rua da Alfândega, cidade do Rio de Janeiro.
Suou a camisa, mas conseguiu realizar a árdua tarefa, comprou presente para toda sua famí-
lia.
Ao final resolveu comer uma empadinha de galinha, engolida a seco por nossa magistral
heroína.
Entrou então no lotação esbaforida, cansada, sedenta e cheia de sacolas na mão. Ao tentar
cruzar seu último obstáculo em direção ao paraíso, aconteceu a tragédia : Nenhum mísero
tostão, "Pelé, nem Jarzinho" havia sobrado.
Entrou então em pânico e chorou, queria pagar em cheque, obviamente não aceito pelo trocador.
Tentou, em vão, convencer ao pobre do motorista a desviar o trajeto e passar pela sua casa,
para que pegasse o último trocado de seu esparrafado salário.
Lembrou-se então do seu erro fatal : Fora a tal da empada a bendita culpada , pela primeira
vez a azeitona inocente escapou pela tangente, aos prantos lembrou do velho ditado, agora
por ela adaptado : "Liquidação de natal em bolso de professora dura, tanto bate até que fura !".